Parava amiúde nas estações de serviço: Era um hábito antigo que ajudava a evitar parar de repente para «emergências».
Naquele dia decidiu ficar por ali um pouco: comer um hambúrguer, olhar o pôr do sol, beber uma coca-cola.
O horizonte alaranjado convidava-o: Fica. Sentou-se à janela, contemplativo. Saboreou o que tinha pedido, como se se tratasse de um grande acepipe.
– Gostou do nosso hambúrguer «gourmet»? – perguntou-lhe a empregada, ao passar pela mesa.
– Sim, até gostei bastante.
– Vem cá sempre pela nossa especialidade, não é?
– Sobretudo… mas não só. – respondeu, olhando o horizonte.
Na verdade, era aquele céu que no momento lhe «enchia a medidas».
Ela, percebendo, deixou-o só.
― Teresa Gonçalves ―
Imagem: Karolina Grabowska, Kaboompics
18 de Outubro, 2022 at 19:38
A comida de que gostamos é uma boa excusa para voltar a lugares onde há qualquer coisa que nos aconchega o espírito. Alimentar o corpo se faz pela boca, mas não só…
E as estações de serviço são lugares de passo, de trocas, de encontros… Esta imagem bem poderia formar parte de um filme americano e o comedor de hambúrguers “gourmet” um cowboy solitário do s. XXI…
Muito bom, Teresa!!
Parabéns!!
18 de Outubro, 2022 at 19:43
Também concordo que um pôr do sol vale por mil hambúrgueres!
As personagens da Teresa que, por instantes, habitam o hiato entre a solidão e a contemplação.