No dia seguinte, o quarto parecia suspenso num outro tempo.
O lençol, amarrotado, guardava a forma sinuosa dos corpos e o perfume da noite.
Ela permaneceu imóvel, a escutar o som distante da cidade a acordar, como quem teme quebrar o doce feitiço.
Ele dormia ainda, sereno, e por um instante tudo o que existia era o respirar dele — lento, seguro, inevitável.
Esboçou o gesto de se levantar… mas o mundo lá fora parecia demasiado real.
Voltou então a fechar os olhos e deixou-se ficar, entre o murmúrio e o sonho, onde o amor ainda não tinha partido.
― Ana Lecoq ―
Imagem: Kelly Moon on Unsplash
18 de Novembro, 2025 at 21:31
É um microconto que me faz pensar… entre o murmúrio e o sonho, ouço a necessidade de fechar os olhos e deixar o amor fugir? Talvez eu ainda esteja a encontrar a minha A Décima Quarta Mulher, ou talvez só precise de uma Captura de Ecrã para ver a realidade com outros olhos. Há sempre uma Ilusão a decorar a vida, mas quem sabe, no Acerto de Contas, eu descubra que a melhor Fome é a de sentir mais? #Impasses #Excesso