Permanecia imóvel em frente ao portão com o olhar fixo no verniz escarlate da porta. O barulho estridente de uma mota, despertou-a violentamente da sua dormência.
Enrolou os braços à volta da cintura e apressou o passo numa repentina e desesperada tentativa de fuga. A temperatura caíra de forma abrupta e vento trespassava-a como mil e uma agulhas.
De repente, Londres perdera o encanto. Invadiu-a uma sensação de desalento e solidão. Olhou em volta e não reconhecia o lugar… não reconhecia as pessoas.
Convencera-se de que era forte, independente e resiliente. No entanto, naquele momento, sentia-se só, insignificante e desprovida de todo o afecto.
― Ana Lecoq ―
4 de Junho, 2023 at 9:33
Uma narrativa que parece anunciar o começo de uma história, mas que culmina na ilustração de um sentimento. Assim se basta.
4 de Junho, 2023 at 15:44
Ana, como pode perder o encanto Londres? Temos de dar alento a tua protagonista, porque merece olhar a cidade com outro olhar e vai descubrir que sempre há um motivo para continuar. Como disse a canção do musical Annie: “Tomorrow, the sun will come out tomorrow”. É lindo o teu texto, Ana! Transmite esse desalento! E não é fácil transmitir com palavras! Parabéns!!!
7 de Junho, 2023 at 13:44
O desalento da certeza que não queria. Mas encontrou a força – com os braços enrolados à volta da cintura – para reconhecer o fim do que já não era.
Chegaram-me vivas e comovem todas as emoções desta solidão desiludida que deixa vontade de abraço.
Que lindo texto a Ana conseguiu!