Permanecia imóvel em frente ao portão com o olhar fixo no verniz escarlate da porta. O barulho estridente de uma mota, despertou-a violentamente da sua dormência.
Enrolou os braços à volta da cintura e apressou o passo numa repentina e desesperada tentativa de fuga. A temperatura caíra de forma abrupta e vento trespassava-a como mil e uma agulhas.
De repente, Londres perdera o encanto. Invadiu-a uma sensação de desalento e solidão. Olhou em volta e não reconhecia o lugar… não reconhecia as pessoas.
Convencera-se de que era forte, independente e resiliente. No entanto, naquele momento, sentia-se só, insignificante e desprovida de todo o afecto.

― Ana Lecoq ―