Hoje acordo e pergunto como sempre: – Passou uma hora? Um mês?
Não há tempo dividido, só eternidade, neste poço largo onde, ao fundo, mais abaixo, na luz fraca e baça, se movem vultos brancos entre sons indistintos a meia voz.
Mas hoje não vejo na parede o desenho verde-alucinado de uma grande alface.
Hoje não saio em precária efémera consentida pelos entorpecedores, em fuga à dor total. Hoje distingo uma expressão amável e ouço nítidas as palavras:
– Vamos desentuba-la e vai para o quarto.
― Isabel Mattos ―
Imagem: Pixabay
12 de Janeiro, 2023 at 10:47
Uma prisão onde ecoa a caverna platónica. Ter-se-á o prisioneiro virado e descoberto o real?
16 de Janeiro, 2023 at 21:42
Uma grande alface que me deixou atónita… Como num sonho, como Alice num mundo mágico… onde ecoam as palavras nítidas… Parabéns, Isabel!! 🙂