A Branca de Neve, fugida da madrasta má, vivia numa mata, em casa de sete anões emigrados depois do encerramento da mina.
A vida corria-lhe bem. Criou um blogue com receitas de bolos, tortas e compotas de frutos dali.
Mas foi por aí que a malvada a encontrou. Decidindo impedir que a história acabasse assim, envenenou uma maçã, meteu-a num cesto com mais umas quantas e, disfarçada de camponesa, foi a casa da Branca de Neve, pensando:
– Pode ser que já não se lembre.
– Prova uma. Com elas poderás fazer tartes deliciosas!
A Branca de Neve ia trincar a maçã, quando apareceu um lobo mau que, vendo ali sobremesa, engoliu o fruto sem dentada.
É bem certo o ditado: pela boca morre o peixe… A barriga inchou, inchou e rebentou! De lá saiu um lenhador inteirinho, que fora tragado pela fera.
– E depois?
– A bruxa ruim fugiu esbaforida e nunca mais foi vista. A Branca de Neve desmaiou, mas o
lenhador reanimou-a com um copo de água fresca e foi limpar a mata, que o verão não tardava.
– Então não havia um príncipe?
– Havia. Ia a casa da Branca de Neve lanchar tortas e beber sumos enquanto namoravam.
Mas naquele dia não apareceu porque caiu da moto-quatro. Tinha a mania das velocidades!
Por sorte, uma menina que ia a caminho da casa da sua avozinha, chamou uma ambulância.
Sei que o príncipe ainda está a recuperar no hospital. É muitas vezes visitado, também pela Cinderela que mora perto.

***

Vitória, vitória acabou-se a história!
Ou talvez não. Podem fazer mais perguntas e dar as respostas.
Embora lá!

― Isabel Mattos ―

Imagem: Pixabay