Ao sentir os lábios do príncipe aflorar os seus, Branca de Neve entreabriu os olhos, pestanejou e fitou-o longamente.
Trespassado por uma emoção que mal conseguia conter, o jovem ajoelhou-se ao lado do ataúde e, numa voz trémula, disse:
– Oh, nobilíssima! Oh, mais bela entre as belas! Amo-te! Vem comigo para o meu reino de flores, trinados e cascatas. Lá, coroar-te-ei rainha e juntos viveremos felizes para sempre no meu palácio esplendoroso.
Branca de Neve, que permanecera deitada, espreguiçou-se, ensaiou um bocejo e declarou:
– Parece que dormi cem anos. Fartei-me de trabalhar na casa daqueles sete bagunceiros. Não admira que estivesse exausta! – Já noutro tom, prosseguiu – Mas, tu quem és? Como ousaste beijar-me sem o meu consentimento? Além disso, não fazes o meu género.
Com isto virou-se para o lado, e continuou a dormir.

― Fernanda O’Brien ―

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