Acordou de repente, como já se tornara habitual, o chão molhado, o ar húmido e frio.

Mantinha-se escondido e em fuga. Não sabia para onde, só de onde.

Nem se tentava lbrar, tão dolorosa era a memória.

Apercebeu-se de uma clareira. Aproximou-se para espreitar por entre os arbustos. Do outro lado, uma povoação, luzes de natal, músicas.

Estaria próximo de algum ponto de viragem? Conseguiria finalmente ser acolhido por alguém?

– Deixa-te de disparates, Masha, tens é que arranjar o que comer – pensou.

De um pulo, disparou a correr pela clareira fora. Quando deu conta, era tarde: Caíam às dúzias, como anjos negros, do céu.

― Teresa Gonçalves ―