Ajudava todos com doçura e entusiasmo. Numa espiral ascendente. Sem retorno.
Mas não fora previsto que sentisse tanto, e cada nova iteração carreava um ágio, um retalho na carne. Para criar mais espaço, sustentar inéditas intensidades.
Logo após a quinta cirurgia ao tórax, ainda frágil, dirigiu-se sozinha à loja de tatuagens.
No peito – do pé – dois finos arabescos evocavam agora filho e marido. Gratidão.
E o pulcro amor que, irrompendo por entre o éter e as pedras, teimava, inelutavelmente, em renascer sempre com mais fulgor naquela mulher delicada.
Naquela mulher com o coração à flor da pele.
― Fernanda O’Brien ―
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