Naquele tempo era assim: A vida vinha, com a mesma crueza com que partia.
Era a quarta gravidez de um rapaz.
Dois não chegaram a nascer.
Um, viveu até aos oito meses. A dor de o perder depois de o conhecer, tirar fotografias, dar de mamar, vestir, pentear. Branco era a cor: do fato do caixão, da dor.
Desta vez alguém lhe veio falar de uns planos do marido para emigrar. A última a saber. A última chance. Também perdida.
Houve mais caminho: Cuidar dos vivos e dos presentes.
Ficou o amor, como tinta permanente, no seu útero, no seu coração.
Para sempre.
― Teresa Gonçalves ―
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Imagem: Polliana Sousa www.artmajeur.com
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