No espelho, a penumbra das cortinas corridas desfocava-lhe as marcas do inferno.
Não tinha muito tempo. Ajustou no ombro a alça do saco leve enquanto olhava à volta e reconhecia testemunhos mudos de tormentos calados no que tecera em amor imaginado.
Nenhuma emoção.
Rodou a chave. Pousou-a.
Como das outras vezes, o demónio que nunca conseguira calar, assombrou-a:
– Do outro lado, que outros?
A porta abriu-se.

― Isabel Mattos ―

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