Encontravam-se sempre no mesmo banco, sem promessas.
As mãos quase se tocavam.
Ela falava de livros, ele do mar.
Um dia, ele faltou.
O banco permaneceu vazio, na semana seguinte.
Um mês. Um ano.
Restou-lhe o vazio. E a certeza:
o inferno não arde – ecoa. E tem o rosto de quem finge bem.

― Ana Lecoq ―

Imagem: Luigi Ghirri