Encontraram-se no mesmo café de sempre, como quem regressa a um lugar onde o tempo tinha aprendido a esperar. Pediram dois cafés, embora soubessem que aquele seria o último.
Falaram de coisas pequenas: do frio, das ruas molhadas, de um livro esquecido. Nenhum mencionou o que realmente se despediria ali.
Quando as chávenas ficaram vazias, permaneceram em silêncio, como se o mundo pudesse atrasar-se um pouco mais.
Ela sorriu primeiro. Ele pagou a conta.
À porta, abraçaram-se com a delicadeza de quem guarda um segredo.
E partiram em direções opostas, levando consigo o sabor amargo do que não foi dito.
― Ana Lecoq ―
Imagem: rishi on Unsplash
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