Foi naquele tempo.
Não lhe sei nome. O âmbar do bico e das patas sobressaía no negro das penas que lhe
cobriam o corpo fransino. Duas esferas pequeníssimas, ora cintilavam ora se afundavam.
Quando me aproximava, pousado sem sobressalto, olhava-me e cantava.
Um dia, e outro, e outro, e outro, até ao outro em que o acreditei mensageiro de palavras
emudecidas que cifrava nos trinados.
Sem mais o ter visto, ouço-as ainda quando raro consigo silêncio inteiro.

― Isabel Mattos ―

Imagem: Sebastian Palmay