– Ni yingai he dian rè chá!
-Mmmm?
A tarde inteira de escalada culminava numa promessa cumprida de vistas e pitoresco. Faltava apenas o pôr-do-sol, pelo qual ainda era preciso esperar. O recorte da montanha, ao fundo, circundando a cidade nas suas declinações de
antiguidade criava uma comoção nas objetivas das câmaras. As árvores mais próximas agitavam as cabeleiras fartas pesando na ventania, libertando um aroma de flores rosáceas. Havia também os templos de madeira, impantes de majestade e estranheza. Tu afastavas-te um pouco. Tudo era um pouco demais.
– He rè chá! – repetiu a mulher, sorridente.
– Ãhhh…? …rè cháh… – ensaiei, abrindo muito os olhos.
Percebendo o meu ar confuso, ela simulou segurar um recipiente pequeno, que ergueu aos lábios. Sorriu de novo. Tu acudiste:
– He rè chá, beber chá quente…
A mulher cerrou os olhos e fechando o sorriso como se fosse um leque, afastou-se devagar.
Enfeitado por uma minissaia e tecidos previstos para outra estação, o meu corpo ondulava de forma visível ao vento cru que se fora levantando. No ápice imóvel desta constatação, tu aproximaste-te e estendeste-me a mão. Juntos percorreríamos a descida sinuosa, de volta aos meandros das lojas de recordações e guloseimas locais, por entre o caudal serpenteante de turistas enregelados que capturavam as últimas incandescências do dia sobre os telhados exóticos.
Não tornei a sentir frio.
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