A luz do sol entrava pela portada entreaberta e beijava o vaso de violetas pousado no centro da mesa da cozinha.

Eram seis da tarde. As duas formas de cobre estavam penduradas na rede, por cima do fogão. Escolheu a mais antiga e preferida da Avó que, embora um pouco riscada e amolgada, era a mais bonita e trabalhada.
Separou as gemas das claras, às quais juntou uma pitada de sal. Mediu o açúcar e a farinha. Foi buscar a lata de fermento, encheu um copo de leite e abriu a manteiga.

Dispôs todos os ingredientes na bancada da cozinha…

Começou pela forma, untando-a bem e passando meticulosamente a manteiga em todas as reentrâncias. Por fim, polvilhou-a com farinha. Bateu o açúcar com a manteiga derretida; depois, juntou as gemas. Adicionou o leite, alternando com a farinha, lembrando-se da recomendação da Avó para que a massa não ganhasse grumos.
Bateu as claras em castelo firme e envolveu-as na massa, tentando replicar a elegância dos movimentos da Avó para que o bolo ficasse leve e fofo.

45 minutos para cozer o bolo, no forno a gás. Tinha tempo para preparar a cobertura e o recheio. Lavou também os morangos e cortou uma porção em fatias e os restantes ao meio, passando-os por limão para que não escurecessem.

Escolheu o melhor prato de porcelana inglesa. Recheou o bolo com creme de pasteleiro, cobriu-o com natas em chantilly e decorou-o com os morangos. Colocou duas velas quase ao centro e cantarolou “Parabéns a você…”. Por fim, com os olhos marejados de água, formulou fervorosamente um desejo e apagou as velas…

― Ana Lecoq ―

Imagem: Unsplash
(Imagem editada)