O casaco, coçado nos cotovelos, puído nas mangas, rilhado na bainha, borboto por todo o lado.
As meias, um gráfico de barras de malhas caídas, sempre as mesmas. A blusa, despencada e mole, incapaz de dissimular a barriga opada que se distendia para os lados debaixo de uma saia zambareta cujo modelo já ninguém usava. Nos pés, uns sapatos botos, restaurados ao longo de décadas.
A complementar a vestimenta, cheio de papéis, um saco desfazendo-se em flocos nas arestas, tão enrugado como o próprio rosto, sobre o qual descaía uma melena frouxa e baça que usava com uma certa altivez.
Nunca tive uma professora como ela.
― Fernanda O’Brien ―
Imagem: Pixabay
25 de Fevereiro, 2024 at 10:54
Deliciosa vivência, observação e descrição!
27 de Fevereiro, 2024 at 12:40
Esta frase final, Fernanda, é uma espada de dois gumes! Gostei da descrição da professora, Fernanda! Bravo!