A coberto do motim, pisavas a cela pela primeira vez. Reconheci-te os olhos únicos de forasteiro, espreitando sempre que me estendias a malga de sopa aguada através da portinhola. E o toque, que se tornara cada vez mais demorado.
A explosão e a derrocada surpreenderam-nos os corpos mancebos. E o beijo, que persiste com a teimosia própria da matéria, enquanto as carnes se decompõem lentamente e as moléculas se confundem no enlace perfeito do nosso amor subterrâneo.

― Fernanda O’Brien ―

Imagem: Armando Luna, Pexels