Às 6 da tarde de 16 de novembro do ano da morte de um tal Reis, eu estava à espera do meu anfitrião na porta do meu Airbnb.

Lá, no bairro, havia uma grande celebração, um aniversário centenário. Para festejá-lo, não havia nem bolos nem velas, mas sim palavras. Além disso, os relógios, abracadabra, pararam, todos, às 4. E, na hora certa, os cidadãos tornaram-se cegos e mostraram, flop, flop, de súbito grande lucidez. Exceto alguns que, por medo, não saíram da caverna.

O meu anfitrião, nestas circunstâncias, não apareceu.

Mas foi então que, ao levantar a cabeça, percebi uma tela desenrolada no prédio da frente com a imagem do aniversariante: um homem velhinho, com óculos e sorridente, ao lado de um paquiderme mesmo igual a mim.

― Mònica López Bages ―

Imagem: Juan Freire, página de “El viaje del elefante” de José Saramago e Manuel Estrada, Editorial Alfaguara/Santillana