As embalagens alinhadas de um lado, numa hierarquia de tamanhos e funções.
Atraentes em si mesmas. Os nomes, quase todos em língua estrangeira, prometem. Anunciam brilhos e tons, primários, acabamentos, luz. Num universo em expansão, a perfeição subsistirá como algo de inacabado. Depois os lápis, vários. Irão assegurar contornos e delineações, a precisão necessária. Por fim, os pincéis e as esponjas. Imprescindíveis para os efeitos que se pretendem.
Antecipadamente preparado com os devidos cuidados, o rosto é a tela.
Exalando perfumes subtis, bisnagas e boiões oferecem cores e texturas. Aplicam-se camadas, desenham-se novos traços. Sobrancelhas, maçãs. Passo após outro, a beleza emerge da matéria bruta sem sombra de arrependimento. Miguel Ângelo teria inveja. A cumplicidade da forma e da tinta, a resolução definitiva de qualquer paragone pendente.
Ficar bela e empoderada em apenas vinte e oito minutos e dezanove produtos. Um prazer. O resultado natural e sem exagero. Tal como é desejável numa mulher forte, liberta das grilhetas do patriarcado e alheia à masculinidade tóxica.

― Fernanda O’Brien ―

Imagem:
Rapariga ao Espelho
Pablo Picasso, 1932
MOMA
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