Nasceu num dia de sol quente, em agosto. Ou seria janeiro? Já ninguém se recorda.
O pai e a mãe depressa ficaram velhos e cansados, pois a criatura vinha cheia de energia e dava-lhes cabo da cabeça.
Trocava as horas do sono, das refeições, ia brincar para a praia, quando devia estar em casa, pegava nos piões e rodava-os pelo ar, enfim, um sobressalto permanente.
Cresceu, linda e determinada, fez-se mulher, com umas formas e um rosto perfeitos.
Chegou, finalmente, o dia da sua apresentação no Olimpo: Os pais, batiam o dente, nervosos, receando pela sua já trémula reputação, com o que a criatura poderia fazer ou dizer diante dos outros deuses.
– «E como te chamas tu, minha linda?» – Perguntou o apresentador das debutantes.
-« Excessooo!» – Gritou ela, vestida de napa preta, batendo com o chicote no chão.
Nunca mais houve sossego no Olimpo.

― Teresa Gonçalves ―