Era o seu dom.
Por isso, a voar ou pousado, agradecia aos que o faziam perceber-se especial, cantando e cantando cada vez melhor, em crescendo.
Um dia, parado sobre onda mansa de cansaço, olhou-se.
As penas caindo uma a uma, descobriam penugem fininha. Mas sentia-se leve, sem desconforto. As asas colavam-se ao corpo cada vez mais pequeno que se enrolava, devagar. E era bom.
Quando já novelo, tudo ficou escuro macio.
No abrigo morno, um quase balanço.
– Olha, mãe, o que encontrei!
– Segura-o com cuidado! Vamos pô-lo ali.

― Isabel Mattos ―

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