Violeta olhava a vida sem excesso, tudo temia. A chuva que caía, a multidão que aplaudia um concerto na televisão, as vozes do bulício do mercado, o bater acelerado do seu coração quando Alberto a tocou de leve. O mundo era provisório e inebriantemente humano. Assustada, refugiou-se detrás do vidro frio da sua janela, onde, começou a viver a vida, encolhida, sem excessos.
O tempo esqueceu-se de Violeta, sempre à espreita do outro lado da janela.
Um dia, envelhecida, no seu último suspiro, Violeta soube, que o medo do excesso levou-o a um único excesso, o do nada, que se tornou tudo.

― Dalila Dinis ―
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