Chamaram-lhe naufrágio, mas foi libertação. Quando o casco se abriu, e as águas negras invadiram os corredores, eu não lutei. Soltei as amarras — da culpa, do medo, daquilo que nunca fui. Afundei-me sem pressa, enquanto o mundo lá em cima rugia.
No fundo, o silêncio era morno, acolhedor.
― Ana Lecoq ―
Imagem: Unsplash
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