Era uma vez, numa dessas mil e uma noites, um xá que só bebia chá. Verde.
Vermelho. Moruno. Rooibos. Quando a sua criada meio surda ia à sala só dizia:
— Um chá, por favor.
Mas ela não ouvia.
— Um chá!
Mas ela não ouvia.
— Chá!
A criada fazia gestos… e o xá gritou irado.
— Chá! Chá! Chá!! Vai lá! Chá! Chá! Chá!
As luzes apagaram-se e a velha criada começou a dançar.

― Mònica López Bages ―

Imagem: Maria Surducan