Palavras obstinadamente subvertidas e surdas foram as balas.
Ainda toca a cicatriz enquanto trava o ricochete e lhe procura ausência.
― Isabel Mattos ―
Imagem: Pixabay
Palavras obstinadamente subvertidas e surdas foram as balas.
Ainda toca a cicatriz enquanto trava o ricochete e lhe procura ausência.
― Isabel Mattos ―
Imagem: Pixabay
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27 de Maio, 2024 at 11:55
Isabel, só deixo aquí uns versos de Raquel Lima, que concordam as palavras que são balas: «vou tirar os sapatos altos na estrada e
sem descer dos saltos vou fixar os pés na mãe terra
dizer adeus às armas e partir para a guerra
aprofundar os passos bem firmes no solo
para não me tornar supérflua ou superficial
e apelar ao bom senso comum universal e como tal
hoje tenho ao meu lado na trincheira um sábio senhor
partilhamos da poeira, da poesia e da mesma dor
procuramos a explosão de uma bomba interior
mas com palavras, sem nos tornarmos armas
ou instrumentos, kamikazes, terroristas contra o bando,
contrabandistas, extremistas, especialistas do poder
e do fazer sofrer
procuramos simplesmente a explosão de uma bomba interior
mas com palavras, por vezes tão bélicas e fatais
tanto podem ser cravos como granadas…».
Beijinho grande, Isabel! Parabéns!