ou só espanto, o que a acompanha nos breves momentos leves de quase vôo, enquanto ainda tanto lhe pesa o decorrido? ― Isabel Mattos ― Imagem: M. Vorel
I. Não será por acaso que poder e pudor são palavras contíguas. II. Os despudorados sabem da vida o que está entre as linhas III. A dor da palavra não é só uma constatação. É um aviso. ― Viviane Luis… Continue Reading →
No espelho, a penumbra das cortinas corridas desfocava-lhe as marcas do inferno. Não tinha muito tempo. Ajustou no ombro a alça do saco leve enquanto olhava à volta e reconhecia testemunhos mudos de tormentos calados no que tecera em amor… Continue Reading →
Encontravam-se sempre no mesmo banco, sem promessas. As mãos quase se tocavam. Ela falava de livros, ele do mar. Um dia, ele faltou. O banco permaneceu vazio, na semana seguinte. Um mês. Um ano. Restou-lhe o vazio. E a certeza:… Continue Reading →
Sem achar o sentido e encurralado no campo aberto, continuava a marcha. O cheiro já pele, impossível de expurgar, chegaria aos filhos na casa já sem portas. Mesmo que lá não voltasse. – Não escolheste. Não quiseste. Mas continuava a… Continue Reading →
Sartre rabiscava frases soltas. Soltas como o sentido das coisas. Coisas do dia-a-dia, talheres, mesas, cadeiras e um abajur. Aceso, nem sempre, mas aceso. Sartre tinha medo do escuro, do inferno e dos outros. Mas não contou a ninguém. ―… Continue Reading →
Terias sido a mais bela. Não fora o espelho. ― Fernanda O’Brien ― Imagem: Pexels; Oksana Shpyrka
Ele sorriu-lhe na fila da livraria. Foi só um instante — um livro caiu, as mãos tocaram-se, os olhos demoraram-se. Nunca mais se viram. Anos depois, ainda pensa: podias ter sido tu. Talvez numa outra vida, outra cidade, outra pressa…. Continue Reading →
«Poderias ter sido tu a escolhida», sussurra o cuidador enquanto fecha o cadeado. Ela não diz nada. Acomoda-se num canto e abaixa o olhar. Uma vez mais: já são sete, mas aquele homem que cheirava a álcool tampouco era o… Continue Reading →
Para perpétua memória coletiva Ainda me assombra a espera em medo, ainda a sombra do tempo que ficou por viver, roubado pelos que, sem piedade, empreendiam glória sua. Apesar de tanto, não foste tu *soldadinho que não voltou do outro… Continue Reading →
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