Category Microcontos

Às escuras

Quando faltou a luz, correram às prateleiras como se o mundo fosse acabar. Carrinhos cheios, olhares vazios e furiosos. Empurraram-se por água, por latas e por papel higiénico, esquecendo nomes, rostos, histórias… Lá fora, uma senhora pedia apenas uma garrafa…. Continue Reading →

Aguarela

Foi quando se viu nos seus olhos que o retrato ficou completo. ― Isabel Mattos ― Imagem: Getty Images

Camaleão

Mudei de cor. [Mudou de cor] Para os outros os O.U.T.R.O.S somos nós. ― Viviane Luis ― Imagem: Pinterest

Descompasso

Tropecei nas palavras e na hesitação da timidez, quando retomei o equilíbrio já era tarde… já tinhas partido, levando contigo a frase que nunca disse. Ficou no ar a intenção, eco de silêncio, como migalhas espalhadas no chão que pombos… Continue Reading →

Absurdo

Enquanto as notícias confirmam que o mundo não aprende, bebe o café sorvendo-lhe o aroma, devagar. Adia as mãos na chávena ainda quente. O sol é baço. Escolhe caminho por entre pedaços de nada. Mais uma jornada, sem porquê. ―… Continue Reading →

Insensato coração

No tempo do absurdo, uma gaivota escondeu-se. Fugia do sapo que se apaixonou por ela. ― Viviane Luis ― Imagem: Rita Kirkman – Pinterest

As compotas de maçã com rum

Estava prestes a arrancar os cabelos. O erro a desafiava, rindo dela, enquanto o olhar do professor –e aquele sorriso de quem já prevê o desastre– queimavam na sua memória. Fazia, desfazia, escrevia, apagava… mas o erro continuava ali. De… Continue Reading →

Flor de um dia (2)

Abriu-se ao orvalho. Radiante. Espinhos confundiram cuidado com prisão. Como fuga, murchou. ― Mònica López Bages ― Imagem: Ivett Elisea, Pexels

Encore

Era o seu dom. Por isso, a voar ou pousado, agradecia aos que o faziam perceber-se especial, cantando e cantando cada vez melhor, em crescendo. Um dia, parado sobre onda mansa de cansaço, olhou-se. As penas caindo uma a uma,… Continue Reading →

Estrela caída

Na noite de Natal, a cidade parecia suspensa num brilho próprio, como se até o ar respirasse mais devagar. As luzes refletiam-se nas janelas antigas e nevava devagar — coisa rara em Londres, mas todos os Natais têm direito ao… Continue Reading →

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